A novela "Morde & Assopra", apesar de ainda não ter decolado, nos emociona todas as noites com a história do robô Naome, seu criador Ícaro e o jardineiro Leandro. Acredito que o autor tenha buscado inspiração na mitologia grega, que narra a história de um rapaz que cria asas de ceras para se libertar do labirinto, no qual foi aprisionado e por desobedecer a seu pai, vai ao encontro do sol, que derrete suas asas de ceras e o faz cair ao mar. É claro que o autor inspira-se apenas, na parte em que o criador é destruído por sua invenção: na mitologia, as asas, na novela o robô, que se apaixona por outro homem.
A interpretação de Mateus Solano remete-nos ao sonho de Ícaro, que não consegue se libertar dos seus próprios desejos. Flávia Alessandra tem uma interpretação impecável como "uma" robô, que ainda está descobrindo como viver como os humanos. E Caio Blat, como sua interpretação digna de um grande ator que é, trouxe toda sensibilidade na composição de sua personagem. Enfim, três grandes artistas, fazendo um trabalho maravilhoso, mas que segundo comentários, não agradaram.
Diante disso, resta-nos, questionar sobre o que faltou na novela, para fazer com que o grande trabalho desses artistas fosse sucesso? Talvez falta de entendimento de algumas pessoas, sobre a história que o autor queria contar? Associação ao tema robô a algo fora do seu universo? Ou simplesmente a demora em exibir o triângulo amoroso entre as personagens?
O fato é que parece que encontraram a única resposta que eles acharam cabível, tirar o robô do ar ou escondê-la por um tempo, pois foi o robô que não caiu nas graças do público. Acontece, que esta pesquisa foi feita no momento em que o robô vivia isolado no quarto com o seu dono, mas agora, que surgiu um romance entre "a" robô e o jardineiro, parece que o público começou a simpatizar com a personagem. E agora, como fica se o sumiço der efeito contrário?
Muito antes da novela começar, muitos já diziam que não daria certo porque falaria de robô como "Tempos Modernos" ou porque seria um remake de "Mutantes", de Tiago Santiago. Nem uma coisa, nem outra, está longe de ser as duas novelas citadas, pois, Walcyr Carrasco, tratou desta história com equilíbrio, fazendo algo mais próximo de nossa realidade, apesar, de tratar de dois temas, que só nos aproxima através da mídia.
Talvez o que esteja acontecendo seja simplesmente o surgimento da dramaturgia na Record no mesmo horário, que sem dúvida levou um público jovem que assistia Ti Ti Ti. O único erro do autor até aqui foi esconder algumas personagens, que tiveram poucas participações, de resto, a obra está equilibrada e tirar um robô é tolice e prova de que os autores não podem mais criar boas personagens.
Aqui, fica nossos aplausos para o trio Mateus, Flávia e Caio, que estão conduzindo suas personagens com brilhantismo e o autor, que já demonstrou que é capaz de fazer grandes sucessos, não deixe estragar sua obra: crie, crie, crie!